Apetece-me gritar, poder exprimir o ódio e a frustração que sinto pelo vazio que me preenche e me consome.
Antes tudo era diferente, havia cores e formas onde agora só há borrões, antes eu era diferente, tinha vida, objectivos, sonhos, e lutava por eles com garra, vontade, cheia da ambição e da convicção de que um dia seria alguém e faria algo de útil e bom pelos outros.
Não era boa pessoa, nunca fui, mas havia o querer, havia algo de sobrenatural que me possuía e me fazia trabalhar bem, não perfeitamente bem, mas o suficiente para me fazer feliz e segura de que a minha função aqui, o meu ser podia fazer a diferença.
Agora não, não reconheço o reflexo da minha alma nas notas soltas e verdadeiras que toco, não consigo mais interpreta-las.
E assim, perco-me num determinado tempo e espaço, longe do mundo, longe de mim.
sábado, 24 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Can we change ?
Sinto que tenho tudo a perder, que o mundo é um conflito de oportunidades onde acabamos sempre por optar pela pior.
Sou pessimista, sempre o fui, tal como irritante, impulsiva e insegura.
Não há nada de que tenha a certeza, não é possível, a diversidade de opções é tão imensa que me perco ao tentar adivinhar, e por isso não há nada que me possa fazer mudar.
Vivo num constante caldo de pensamentos, dos quais poucas são as palavras que conseguem descreve-los, e isso impede-me de comunicar, de mostrar as minhas convicções e o meu saber, se é que ele existe.
Hoje, deparo-me com uma faca de dois gumes, pela primeira vez tenho um assunto indiscutível, um assunto que ocupa os meus pensamentos e que nem as palavras mais toscas conseguem expressar. Não é habitual, é a diferença entre o eu de amanhã e o eu de ontem. É um assunto particularmente delicado, e que por isso impede que o agressivo e rude lhe toquem, e isso torna-o inconcebível para todos, até para mim.
Mas há também evolução, porque o meu eu de hoje tem quase a certeza do que o espera amanhã, e há uma única coisa, um único pensamento que se lavou quase totalmente da insegurança, pelo menos eu acredito nisso, é fácil, aconteceu, eu sei (acho) que sim.
Os sonhos mudaram, talvez isto significa que eu tenha mudado também, e isso é bom, certo ? Uma espécie de renascer das cinzas.