Apetece-me gritar, poder exprimir o ódio e a frustração que sinto pelo vazio que me preenche e me consome.
Antes tudo era diferente, havia cores e formas onde agora só há borrões, antes eu era diferente, tinha vida, objectivos, sonhos, e lutava por eles com garra, vontade, cheia da ambição e da convicção de que um dia seria alguém e faria algo de útil e bom pelos outros.
Não era boa pessoa, nunca fui, mas havia o querer, havia algo de sobrenatural que me possuía e me fazia trabalhar bem, não perfeitamente bem, mas o suficiente para me fazer feliz e segura de que a minha função aqui, o meu ser podia fazer a diferença.
Agora não, não reconheço o reflexo da minha alma nas notas soltas e verdadeiras que toco, não consigo mais interpreta-las.
E assim, perco-me num determinado tempo e espaço, longe do mundo, longe de mim.
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sábado, 24 de março de 2012
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