domingo, 27 de março de 2011

O laço desatou, fez ontem 2 meses

Não levem isto como um hábito, mas sim como uma pequena necessidade que surgiu agora, um desabafo.
Como já devem ter reparado, desde aquela pequena confusão do facebook que não voltei a escrever sobre ele, comecei simplesmente a ignorá-lo e a tentar à força toda tirá-lo da minha vida, e de certo modo até resultou, adormeci a minha parte apaixonada, a parte emocional. O problema é que hoje encontrei uma foto na net que não estava à espera de encontrar, e nessa foto ele estava com a cabeça por cima do meu ombro, a agarrar na minha mão com uma das suas enquanto a outra me apoiava a cintura. Não era suposto, mas essa foto fez brotar de novo a corrente de sentimentos que tanto me esforcei por parar. Na verdade, nunca deve ter ficado mesmo adormecida, deve apenas ter fechado os olhos.
A verdade é que eu continuo a gostar dele, continuo a olhar todos os dias para o sítio onde ele me esperava de manhã, mas ele nunca mais lá esteve, a voz dele ainda me distrai, quando fizemos a avaliação de educação física e ele me agarrou, só quis que aquele momento passasse depressa para não abrir novamente uma ferida já a sarara, e no outro dia, quando estávamos na aula e ele se aproximou um pouco mais tive de tapar o nariz porque o cheiro dele traz-me imensas memórias que quero suprimir, dou por mim a afastar-me conscientemente dele com medo de não o conseguir esquecer.
Sim, todos me dizem que mereço melhor que ele e que o mundo está cheio de pessoas, e é verdade, e eu compreendo isso, e eu quero isso, mas então porque é que não me liberto desta prisão em que ele se tornou ?
Sabem, por vezes preferia que ele ainda visitasse o meu blog, porque isso significava que ainda se importava, e por vezes parece que sim, mas depois há sempre qualquer coisa que diz que não, que me chama de burra por ainda acreditar que ele pudesse sentir o mesmo que eu.
As atitudes dele magoam-me, mas ele não sabe, mas ele não quer saber, já não sei o que é pior, se é o facto de ele me ter deixado porque fez uma interpretação das minhas acções e palavras, e sei que ele ainda continua a culpar-me por tudo o que aconteceu, ou se é o facto de me ter esquecido tão depressa. Isto leva-me a duas conclusões, ou ele nunca gostou de mim e vivemos um ano numa mentira (que espero sinceramente que não), ou ainda gosta e já desistiu de vez de nós.
Gostava que se ele visse este texto comentasse, mas ele nunca o fará, apenas pensará: Lá está ela a fazer desta relação uma montra mais uma vez. Só que está enganado porque nós já não temos uma relação, aliás, nós já não temos nada, rigorosamente nada.
Se ao menos o que eu visse nos olhos dele fosse verdadeiro, se ao menos ele dissesse que era, tal como todas as outras pessoas me dizem que ele não me esqueceu mas que o está a fazer à força, mas ele diz que é mentira, e por isso evito olhar para ele, não sou capaz de lhe ler amor enquanto ele nega tudo.
Tentei ver as diferenças na cara dele em fotos comigo enquanto namorados e com outras pessoas, mas isso deixou-me ainda mais triste porque a verdade é que não vejo diferenças nenhumas, não compreendo.
Amanhã tudo será melhor, o dia será outro, vou chegar à escola e não o vou fitar, com medo dos seus olhos, vou ignorar ter escrito este texto e vou olhar para a frente e rir-me das piadas habituais, apesar de continuar a vê-lo até no gesto mais básico, até no sítio mais improvável, porque ainda não descobri um sítio nesta cidade que não possua uma recordação minha e dele no passado, mas o tempo cura tudo (espero).
Neste momento o laço que durante catorze meses nos atou já se desprendeu dele, fiquei apenas eu a segurá-lo, recordação dolorosa do passado, enquanto ele partiu novamente em busca de outro tecido.

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