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quinta-feira, 8 de março de 2012

What do we think we are ?

Porque nada faz sentido e ao mesmo tempo tudo o faz.
Porque a existência, a felicidade e o pensamento são paradoxos que caminham lado a lado, juntos para o mesmo fim.
São como acções reversíveis, que tentam sempre encontrar o equilíbrio para de novo voltar à constante que para nós está definida, constante sobre a qual temos muito pouco controlo e que apenas as acções podem mudar, mantendo-se inalterada com os pensamentos.
No fundo, tudo se rege pelas mesmas leis, e nós não somos diferentes, somos apenas matéria, que quando pressionada pelo meio envolvente cede, somos fragmentos de reflexões, à espera que a intuição nos indique o que fazer, seguindo um método, que nos dá a ilusão de encontrarmos respostas correctas onde apenas existem erradas.
Somos a conjunção entre o real e o imaginário, e por isso, muitas vezes, perdemo-nos na linha que os separa, correndo incansavelmente entre o extremo de um e do outro, onde o ritmo é marcado pelo bip do coração, e onde alternamos entre o passivo e o activo que é o resultado da função complexa que somos e exercemos.
E apesar de nos podermos prolongar até ao infinito, na memória e no saber, há sempre valores que nunca atingiremos.
E esse é o trago amargo com o qual teremos de viver sempre, através do controlo e irresponsabilidade sobre o qual nos assumimos, como alma, e como corpo.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Onde a vida me leva

Vida: sequência de situações oportunas, ou inoportunas, que nos definem como a pessoa que somos para os outros, porque a opinião que temos de nós próprios é constante, todos nos achamos teimosos, difíceis, impossíveis de compreender, e no fundo somos.
Qual o objectivo de estar aqui, de fazer parte desta organização, deste conjunto de leis que nos limitam e ao mesmo tempo nos permitem sobreviver? É algo que não faz sentido, é algo indefinível.
Podemos dizer que estamos aqui para ser felizes, para ser úteis, para aprender, para fazer a diferença, mas o espaço e o tempo são tão limitados que na realidade não podemos fazer nada.
Ninguém nos perguntou se queríamos estar aqui, ou se concordávamos com o modo como teríamos de sobreviver, e o mais triste é que não há volta, e a única maneira de sair daqui é também aquela que nos permite nunca mais voltar, o fim, o derradeiro fim.
As almas extinguem-se, e com elas apagam-se os sonhos e pesadelos, as memórias, a esperança.
Parece tão fácil, apagar a dor, então porque é que todos tememos o infinito, o vazio, a verdadeira noção de espaço e de tempo que significa não a ter.
E assim tudo o que pode parecer fácil torna-se no maior medo.
No entanto, aqui estou eu, e aqui estás tu, prontos a contar cada um a sua história, tal como milhares de milhões (...) de outros seres já fizeram, tal como milhares de milhões continuam a fazer.
Mas a pergunta persiste, para quê ?