Foi na terça feira passada. Sentia-me desiludida, deprimida, triste, precisava de estar sozinha, precisava de pensar, e por isso fui dar uma volta ao parque.
Foi enquanto vagueava sozinha, reflectindo sobre todos os meus problemas para os quais não encontro uma solução que seja, que me deparei com uma situação que me marcou.
Não tinha nada de especial, era mais uma cena habitual entre dois desconhecidos, pessoas que nunca vira na vida e que provavelmente não voltarei a ver, eram um casal de namorados penso eu.
Ao início ela parecia estar a chorar, mas ele rodeava-a com os seus braços, agarrando-lhe levemente a cintura, apertando-a contra si. Ela repousava a cabeça no seu ombro. Não trocavam palavras, estavam simplesmente parados naquela posição quando num movimento terno ele lhe levantou o queixo, disse-lhe meia dúzia de palavras que não consegui perceber e logo de seguida beijou-a.
Não sei como acabou porque achei demais estar a observá-los naquele momento que só a eles pertencia, mas senti-me satisfeita por ter reparado naquilo, deu-me uma nova perspectiva das coisas.
Descobri algo novo, descobri que o amor existe, é impossível não existir, não sei à quanto tempo se conheciam ou namoravam, ou até a confiança que tinham um no outro, mas a maneira como ele a olhava, com tenacidade, amor, protecção, a maneira como ela retribuía e como manifestava o seu agrado por estar com ele, como se sentia protegida e segura, como era bonito aquele cenário.
Sei que andava zangada com o amor, tinha razões para isso, tinha razões para duvidar que ele realmente existisse, mas é impossível ficar indiferente a esta situação, porque ensinou-me que afinal é real, que afinal ele existe, que faz as pessoas ficarem diferentes, serem diferentes, faz as pessoas felizes.
Nesse dia, durante a aula de inglês perguntaram-me: What is the thing you want the most ?, e a minha resposta foi: Feel love ! E nesse momento responderam: So, don't search, just wait for it to come to you ...
E essa é a verdade, quero sentir algo diferente, quero ser mudada e mudar, quero sentir-me protegida por um braço que me agarra, segura no meio de um abraço apertado, quero um ombro que limpe as minhas lágrimas, quero sentir que o mundo parou num beijo, quero sentir num momento que apenas eu e essa pessoa somos parte de um mundo só nosso em que mais nada nem ninguém existe para além de nós, quero amar verdadeiramente, quero fazer promessas, quero ter tempo suficiente para as cumprir, quero que essa pessoa sinta o que diz e que não o diga apenas para parecer bonito ou querido, quero que tenha intenções de cumprir cada promessa feita, quero cometer as maiores loucuras por essa pessoa, quero chorar por ter de me despedir dela, quero desejar estar com ela sempre, quero ser correspondida.
Resumindo, quero o amor puro, inocente e ingénuo, irracional ...
E o mais estranho de tudo isto, é que eles eram apenas dois desconhecidos ...
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quinta-feira, 24 de março de 2011
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Amar
Amar não é fácil, é difícil. Amar não é dizer amo-te na esperança que a outra pessoa acredite e fique feliz, é sentir aquilo que dizemos, e dizer para nós próprios ficarmos felizes. Amar não é gostar da outra pessoa, é adora-la de morte. Amar não é sentir saudades, é sentir que um parte de nós não está connosco. Amar não é ter interesse, é gostar de alguém independentemente do que essa pessoa é. Amar não é partilhar, é oferecer. Amar não é pensar em nós e em satisfazer-nos, é pensar na outra pessoa e satisfazer os dois. Amar não é decidir sozinho, é partilhar a decisão. Amar não é um sentimento, é uma doença. Amar não é acordar e pensar na pessoa, é dormir com ela no pensamento. Amar não é julgar, é compreender. Amar não é ser querido, é ser realista. Amar não é mentir, é ser sincero. Amar não é enganar, é ser fiel. Amar não é recordar o passado e aproveitar o presente, é construir o futuro. Amar não é só amar, é ser amado. Amar não é querer, é precisar. Amar não é fingir, é sentir...
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