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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Abre a janela e deixa entrar o frio dos meus pensamentos e o calor das saudades que tenho de ter e saber que vai tudo correr bem quando a única coisa que corre são as minhas pernas à procura de recuperar o tempo perdido que não vivi enquanto o relógio estava parado, com falta de pilha, tal como o meu cérebro está quando penso. É por isso que quando abro a janela não entra nada, porque não há nada para entrar, porque o vento envolveu num abraço outro corpo que não o meu, e embalou-o até fechar os olhos e dormir, um sono curto e feliz, porque a felicidade é pequena no tempo e no espaço, e porque só existe em sonhos que acabam sempre no despertar da razão onde nada é possível. Estou destinada pelas estrelas que contei antes de dormir a vaguear sozinha neste aperto de ilusões que me mostram o que eu sou, esmagando o futuro e toda e qualquer esperança de ser um dia livre dos outros e de mim.


sábado, 9 de abril de 2011

Finalmente livre


Sei que devia (supostamente) estar triste, mas não estou, e isso preocupa-me, porque parece que afinal sou um pouco mais insensível do que achava, ou então isto tem a ver com tudo o que passei.
A verdade é que isto é tão horrível por um lado e tão bom por outro, é horrível porque não era suposto esquecer tanto em tão pouco tempo, não tenho a certeza se isso já aconteceu mesmo, mas pelo menos ultrapassei, e por outro lado é tão bom, sentir-me finalmente livre, livre.
As amarras que me prendiam abriram-se, deixaram-me mexer, e quando já andava livremente pela cela que me mantinha cativa, abriste-me a porta, obrigada.
Não hesitei em sair, estava a sufocar, precisava de respirar, precisava de pensar sem ter alguém que ocupava o meu pensamento o dia todo, precisava de limpar a minha cabeça e principalmente o meu coração, mas não precisei porque alguém o fez por mim, tirou o lixo e arrumou-o na pequena gaveta de recordações a que estava destinado há muito tempo.
Agora não digo que me sinto bem, mas sinto-me tranquila, calma, livre, e principalmente em paz.