sábado, 9 de abril de 2011

Meus amores

Quando abri aquele pequeno diário não quis acreditar no que vi, não era possível, mas no entanto estava ali à minha frente. Tantas memórias, achei graça ver como escrevia quando era mais pequena, achei graça ver o quão infantil era. Tinha ali à minha frente três entradas distanciadas umas das outras cerca de um ano cada uma, a primeira era em relação ao primeiro rapaz pelo qual me apaixonei a sério e as seguintes eram para cada um dos dois namorados que tive.

A primeira não tinha data, apenas sei que era de 2008 e dizia:
Querido diário.
Estou tão apaixonada por ele, foi amor à primeira vista, o problema é que não o conheço.
Hoje foi um dos dias mais tristes da minha vida porque hoje foi a primeira aula de coro que tivemos depois de eles virem de Espanha (e eu como não estudei não pude ir). Quando lá cheguei estava super entusiasmada por o ir ver outra vez, aliás, todas as minhas aulas de coro são assim, sento-me atrás dele e fico a aula toda a olhar para ele e a sonhar, mas desta vez foi diferente, porque desta vez não estivemos a cantar, estivemos a ver as fotos que eles tiraram. Parece que ele arranjou uma "namorada" por lá, uma espanhola, e passei a aula toda a ouvir bocas sobre eles os dias.
Não imaginas, foi mesmo horrível, quando cheguei ao carro estava a dar a música "Vem cá, dá-me o teu mundo outra vez", fartei-me de chorar na viagem.
Acho que não tenho hipóteses, mas o que posso fazer, eu gosto mesmo dele.

A segunda era do dia 9 de Maio de 2009 e dizia:
Meu Deus, meu Deus, meu Deus, não acredito que isto me está a acontecer.
Ele declarou-se, ele finalmente disse que gostava de mim e eu também lhe disse que gostava dele, sou correspondida.
Quando o conheci senti logo que isto podia dar qualquer coisa, só que ele tinha namorada, então limitei-me a ser amiga dele, a melhor amiga dele, apoiei-o e disse-lhe para ele lutar por ela, disse-lhe que era muito difícil gostar de alguém que gostasse também de nós e que essa oportunidade não devia ser desperdiçada, mas mesmo assim as coisas não correram muito bem e eles acabaram. Hoje quando cheguei ao msn tinha um poema dele a dizer que gostava de mim, que romântico.
Despedimo-nos de uma maneira querida, ele disse para eu pensar no assunto e que depois amanhã falamos.
Isto foi a melhor coisa que me aconteceu, e agora, o que é que eu faço, como é que devo reagir ?

E a terceira era de dia 27 de Junho de 2010 e dizia:
É de noite, não sei o que se passa comigo mas não consigo dormir, cheguei à pouco tempo da gala dele, bem me deitei, mas andei às voltas na cama, não paro de pensar no que aconteceu, foi tão forte, acho que mexeu mesmo comigo.
Foi um momento especial, pelo menos para mim, estávamos várias pessoas sentadas à mesa quando decidimos que íamos dar uma volta à escola.
Enquanto estávamos todos a passar lá por trás eu e ele ficámos um pouco mais para trás enquanto os outros continuaram a andar, ele sentou-se e eu sentei-me ao colo dele, a partir daí a minha recordação mais viva de todas é o beijo, é essa que não me deixa dormir agora.
Foi mágico, eu estava fria, ele estava quente, o toque dos nossos lábios deu-me uma sensação de segurança, protecção, e mais que tudo amor, amor puro, percebi que ele é mesmo muito importante para mim e que o amo verdadeiramente, mais do que imaginava ser possível.
Tenho neste momento uma sms escrita no tlm daquelas mesmo fofinhas, mas acho que não lhe vou mandar, tenho muita vergonha e para além disso tenho medo de o acordar. Gostava de conseguir dizer-lhe o quanto gosto dele, nada parece chegar para o exprimir, mas ele sabe que eu o amo.
As férias estão aí, não sei o que vai ser de nós, mas pelo menos para o próximo ano vou estar na mesma escola que ele, vou poder vê-lo todos os dias.
Por agora, acho que é melhor tentar dormir, imaginar que ele está ao meu lado e que não estou sozinha, quero sonhar com ele, quero que ele esteja presente em tudo o que faço.
Tenho saudades dele, e ainda o vi à cerca de duas horas, será que isto é normal, será que é isto o amor verdadeiro ?

Ao fim ao cabo estas entradas de "diário" fizeram-me sorrir.
Como era imatura naquela altura, como era inocente e apaixonada, como mudei.

3 comentários:

  1. O facto de teres crescido não deve invalidar o facto de ainda teres a capacidade de te apaixonares.
    Pelo contrário, deves ser capaz de o fazer mais conscientemente.

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  2. mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
    não eras imatura, eras e és humana. todos cometemos erros e crescemos e aprendemos com eles...
    ainda bem que tudo isso te fez sorrir, porque é isso que mereces.

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  3. Concordo aqui com as opiniões dadas.
    Como sempre: adorei adorei adorei.
    Mas sim, realmente é verdade: a tua forma de pensar mudou, mas isso não implica que pares de te apaixonar. Apaixona-te pela vida, e faz o que ela decidir fazer. Se te apaixonares, óptimo. Se não, foi porque era melhor assim.

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