segunda-feira, 1 de março de 2021
Loop de impulsos
Necessidade inadiável de escrever, de compreender, de aceitar. Vontade impaciente de saltar para o aceitar. Evitar o conflito interior que, como uma nuvem teimosa, sobrevoa esta existência inflexível.
Impulsos incontroláveis, obsessão culpada, pensamento doente. Um distúrbio de origem indetectável disfarçado na compulsão e constante desconforto com a forma.
Pressão multi-lateral aliada a fraqueza, fraqueza essa incompatível com os valores aos quais quero que me identifiquem. Temo que essa fraqueza me domine, mas sei que não quero ceder. Luto contra isso.
Fraqueza noutro sentido também. Submissão à opinião alheia, à construção social, ao que me desperta os sentidos e me atrai. Como se fosse obrigatório atrair-me a mim própria. Como se essa fosse a única verdade que pode soprar esta nuvem.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
És um amor demasiado saudável para a minha instabilidade
Estou mal disposta da verdade que transborda de dentro de mim e que luto com toda a força para conter. Tão fisicamente mal disposta que a única forma de tenho de o libertar é em escrita encriptada, na esperança talvez vã de que nunca ninguém a compreenda, mas ainda assim livre de ser compreendida.
Por um lado, o pensamento racional de quem reconhece o que precisa, o que dá e o que recebe. A estabilidade emocional que nunca conheci até estar contigo. A valorização, a espera, as expectativas que, mesmo uma vez defraudadas, continuaste a depositar em mim. Um amor grande demais relativamente ao que merecia (e talvez ainda mereça) receber.
Por outro lado, o medo de estar a avançar depressa demais, de ter mais olhos que barriga, de não estar completamente pronta para o que se vizinha apesar de estar ansiosa por o partilhar contigo. Como se em mim ainda houvesse pontas soltas que me impedem de estar contigo na plenitude da minha existência. Como se este pensamento vicioso que me empurra na direção de estragar tudo uma vez mais fosse mais forte do que o que me mantém controlada - por vezes parece que sim, mas nunca o é.
Sei que nunca vai ser porque, bem no fundo, preservo algum amor próprio.
Reconheço a minha instabilidade emocional e a tua capacidade de me manter saudável, com a tua inocência, a tua ingenuidade, a tua maneira feliz de ser.
Olho para ti e vejo um igual. O medo de ter perder não me aperta as entranhas porque não é uma ameaça credível. És sólida em todos os meus momentos de dúvida e nunca falhas a agarrar-me à terra. Um vou ter saudades tuas e mal posso esperar por te voltar a ver, em vez de espero que corra tudo bem entre nós apesar da dificuldade. Um espero por ti porque o que são uns anos comparado ao resto do que podemos viver juntas. Nunca tens dúvidas de que vai correr bem, nem nunca me deixas ter dúvidas.
Reconheço e valorizo a minha independência, a minha capacidade de agir e estar sozinha. No entanto, não consigo manter a calma sozinha, exagero e intensifico todo o que sinto até se tornar um problema insolucionável. Tu manténs a calma em mim, não sei como, mas o teu abraço e o teu beijo, a tua mensagem encorajadora mesmo quando só quero estar sozinha e faço por te afastar. A magia no conforto dos teus braços quando me viro para dormir. Como se naquele momento que todas as noites se repete, mesmo naquelas em que a dúvida me assombra, o meu pensamento voltasse a girar normalmente. Como se aquele momento fosse tudo o que preciso para ser feliz.
Não sou estúpida o suficiente para estragar o que sempre quis e que está encarnado em cada bocadinho de ti. No entanto, não sou racional o suficiente para o valorizar sem inseguranças.
Não me arrancas o coração do peito porque não ameaças ir-te embora. Nem quero que vás! Só quero que o meu pensamento finalmente compreenda, sem reservas, que a tua estabilidade é algo demasiado valioso para deitar fora por outros pensamentos absurdos - francamente, conversas platónicas na minha cabeça.
Sou uma pessoa melhor quando estou contigo, ainda que nada em ti seja frágil e, dessa forma, irresistível para a colecionadora de casos (quase) perdidos que sou.
Por um lado, o pensamento racional de quem reconhece o que precisa, o que dá e o que recebe. A estabilidade emocional que nunca conheci até estar contigo. A valorização, a espera, as expectativas que, mesmo uma vez defraudadas, continuaste a depositar em mim. Um amor grande demais relativamente ao que merecia (e talvez ainda mereça) receber.
Por outro lado, o medo de estar a avançar depressa demais, de ter mais olhos que barriga, de não estar completamente pronta para o que se vizinha apesar de estar ansiosa por o partilhar contigo. Como se em mim ainda houvesse pontas soltas que me impedem de estar contigo na plenitude da minha existência. Como se este pensamento vicioso que me empurra na direção de estragar tudo uma vez mais fosse mais forte do que o que me mantém controlada - por vezes parece que sim, mas nunca o é.
Sei que nunca vai ser porque, bem no fundo, preservo algum amor próprio.
Reconheço a minha instabilidade emocional e a tua capacidade de me manter saudável, com a tua inocência, a tua ingenuidade, a tua maneira feliz de ser.
Olho para ti e vejo um igual. O medo de ter perder não me aperta as entranhas porque não é uma ameaça credível. És sólida em todos os meus momentos de dúvida e nunca falhas a agarrar-me à terra. Um vou ter saudades tuas e mal posso esperar por te voltar a ver, em vez de espero que corra tudo bem entre nós apesar da dificuldade. Um espero por ti porque o que são uns anos comparado ao resto do que podemos viver juntas. Nunca tens dúvidas de que vai correr bem, nem nunca me deixas ter dúvidas.
Reconheço e valorizo a minha independência, a minha capacidade de agir e estar sozinha. No entanto, não consigo manter a calma sozinha, exagero e intensifico todo o que sinto até se tornar um problema insolucionável. Tu manténs a calma em mim, não sei como, mas o teu abraço e o teu beijo, a tua mensagem encorajadora mesmo quando só quero estar sozinha e faço por te afastar. A magia no conforto dos teus braços quando me viro para dormir. Como se naquele momento que todas as noites se repete, mesmo naquelas em que a dúvida me assombra, o meu pensamento voltasse a girar normalmente. Como se aquele momento fosse tudo o que preciso para ser feliz.
Não sou estúpida o suficiente para estragar o que sempre quis e que está encarnado em cada bocadinho de ti. No entanto, não sou racional o suficiente para o valorizar sem inseguranças.
Não me arrancas o coração do peito porque não ameaças ir-te embora. Nem quero que vás! Só quero que o meu pensamento finalmente compreenda, sem reservas, que a tua estabilidade é algo demasiado valioso para deitar fora por outros pensamentos absurdos - francamente, conversas platónicas na minha cabeça.
Sou uma pessoa melhor quando estou contigo, ainda que nada em ti seja frágil e, dessa forma, irresistível para a colecionadora de casos (quase) perdidos que sou.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
Em queda livre
Já não estou a cair controladamente, estou em queda livre. Aterroriza-me a ideia de voltar a estar conectada a alguém dessa forma. Fujo, adio e finjo que ainda domino a situação. Mas já não é verdade.
Há qualquer coisa de diferente em ti. O empenho. A dedicação.
No entanto, não me conheces. Tenho medo que não gostes do que um dia virás acontecer. Tenho medo que sejas mais uma pessoa a ir embora, depois de todo o esforço que fizeste por ficar.
Quando divago sobre o longuíssimo prazo, o único período temporal que realmente me interessa, penso se isto será a escolha certa para ti, para nós...
Há qualquer coisa de diferente em ti. O empenho. A dedicação.
No entanto, não me conheces. Tenho medo que não gostes do que um dia virás acontecer. Tenho medo que sejas mais uma pessoa a ir embora, depois de todo o esforço que fizeste por ficar.
Quando divago sobre o longuíssimo prazo, o único período temporal que realmente me interessa, penso se isto será a escolha certa para ti, para nós...
sábado, 27 de abril de 2019
Retomada procura pela razão de existir
Levanto a cabeça para me ver, mas não me reconheço.
Quem fui, aquela criança crescida que encarou o amor como base fundamental da felicidade, que fechou os olhos e alimentou a mentira que sabia estar a viver, fundamentada em expectativas inúteis, construída sobre mudos sinais de aviso. Simultaneamente adulto prematuro que quis assentar e avançar no cumprimento das normas societais. Casar. Construir família. Ser feliz. Inconsciente daquilo que dou e exijo, na esperança ingrata de estar com alguém grande, na expectativa de poder ser alvo de imenso orgulho e de ter orgulho também. No fundo, doente pela tempo passado a carregar o peso de alguém que não melhora, vergada pela luta solitária na batalha dos dois.
Olho para trás e reconheço a fraqueza, o medo de existir sozinha e a consequente luta permanente por um amor ausente, distante, por um companheiro pequeno e desprovido de objectivos, desadequado ao contínuo esforço de crescer e ser maior. Sucessivas promessas de mudança vazias. Lágrimas com a mágoa de um amor unidirecional, cuja contraparte perdeu a vontade de existir.
Flutuámos juntos neste jogo de puxa para baixo e para cima durante tanto tempo que me habituei à tua existência, ainda que maioritariamente ausente e desinteressada. Uma existência que não quis, nem quero, preencher ou substituir, mas que carrega dor marcada no meu discurso e no meu coração.
Abracei o desconhecido, mudei de vento. Não por amar perdidamente como te amei a ti, mas por sentir que o teu amor há muito tempo que não me pertencia, nem nenhuma promessa carregava a verdade de alguma vez voltar a pertencer.
Observei-te ainda mais de perto no fim. Esperei estar errada. Quis estar errada (às vezes, ainda quero). Caí em mim. Ensurdecedores sinais de aviso ecoaram em todos os pedaços do meu ser, sobras do que quebraste e deixaste para trás.
Vencida finalmente pela dor, vi o que durante tanto tempo me recusei a ver. Segui o meu caminho, marcado pelos pés em sangue das feridas que abriste e não cuidaste. Obriguei-me a não olhar para trás.
Perdi-me no que ficou adiado para me encaixar em ti. Procuro-me agora. Navego a minha maré apenas e navego-a sozinha. Até encontrar o certo. Até fazer sentido.
Quem fui, aquela criança crescida que encarou o amor como base fundamental da felicidade, que fechou os olhos e alimentou a mentira que sabia estar a viver, fundamentada em expectativas inúteis, construída sobre mudos sinais de aviso. Simultaneamente adulto prematuro que quis assentar e avançar no cumprimento das normas societais. Casar. Construir família. Ser feliz. Inconsciente daquilo que dou e exijo, na esperança ingrata de estar com alguém grande, na expectativa de poder ser alvo de imenso orgulho e de ter orgulho também. No fundo, doente pela tempo passado a carregar o peso de alguém que não melhora, vergada pela luta solitária na batalha dos dois.
Olho para trás e reconheço a fraqueza, o medo de existir sozinha e a consequente luta permanente por um amor ausente, distante, por um companheiro pequeno e desprovido de objectivos, desadequado ao contínuo esforço de crescer e ser maior. Sucessivas promessas de mudança vazias. Lágrimas com a mágoa de um amor unidirecional, cuja contraparte perdeu a vontade de existir.
Flutuámos juntos neste jogo de puxa para baixo e para cima durante tanto tempo que me habituei à tua existência, ainda que maioritariamente ausente e desinteressada. Uma existência que não quis, nem quero, preencher ou substituir, mas que carrega dor marcada no meu discurso e no meu coração.
Abracei o desconhecido, mudei de vento. Não por amar perdidamente como te amei a ti, mas por sentir que o teu amor há muito tempo que não me pertencia, nem nenhuma promessa carregava a verdade de alguma vez voltar a pertencer.
Observei-te ainda mais de perto no fim. Esperei estar errada. Quis estar errada (às vezes, ainda quero). Caí em mim. Ensurdecedores sinais de aviso ecoaram em todos os pedaços do meu ser, sobras do que quebraste e deixaste para trás.
Vencida finalmente pela dor, vi o que durante tanto tempo me recusei a ver. Segui o meu caminho, marcado pelos pés em sangue das feridas que abriste e não cuidaste. Obriguei-me a não olhar para trás.
Perdi-me no que ficou adiado para me encaixar em ti. Procuro-me agora. Navego a minha maré apenas e navego-a sozinha. Até encontrar o certo. Até fazer sentido.
sábado, 29 de outubro de 2016
Depois de 4 anos, secou, depois de 4 dias, secou. O que eu tenho para te dar secou. Sou capaz de amar muito mais do que tu mereces.
Já chega de mentiras, de teias, de voltas, beijos escondidos naquela que é a tua verdadeira realidade.
Digo-te adeus, e desta vez é a sério. Não quero voltar a ver-te
na minha vida.
domingo, 22 de novembro de 2015
Há muito tempo que não me sentia tão sozinha.
É incrivel como de cada vez que venho escrever uma entrada no blog começo automaticamente a chorar. Como se fosse a minha espécie de diário a quem conto aquilo que mais ninguém ouve, aquilo que mais ninguém quer saber.
Que coisa infantil a minha, manter um diário, mesmo que esporádico. Mais incrivel ainda é a necessidade de manter algo assim, como se não fosse capaz de conter tudo o que me vai cá dentro e tivesse de deitar tudo para fora num momento em que a saturação não me deixa aguentar mais.
Se fosse hojeo primeiro dia, seria tudo diferente. Mais distância, menos apego, menos expectativas para as pessoas que ficaram longe.
Embora reconheça sinais de amor, preocupação, carinho, os sinais de irritação permanecem. Sou tão dependente, de todos, e queria não ser.
Neste momento quero pegar na minha mala e ir embora, para um sítio novo, um sítio qualquer, não voltar para trás e começar tudo do zero. Fingir que não conheço ninguém, desaparecer.
Não é estranho querer desaparecer? Fugir de 20 anos de existência e deixar tudo para trás como se nada tivesse valor suficiente para trazer fora da minha memória. Querer estar sozinha, não confiar em ninguém, não acreditar em ninguém, não ter expectativas para ninguém.
Também é incrível como me sinto estúpida de cada vez que aqui escrevo. Sou tão criança, tão pequena, como se precisasse que tomassem conta de mim, que me dessem atenção, que me obriguem a fazer os trabalhos de casa.
Mas neste momento, tão pequena e ao mesmo tempo tão cheia de nada, a não ser a vontade de desaparecer e não voltar.
Serão isto saudades? Um estado mental alterado?
É normal?
É incrivel como de cada vez que venho escrever uma entrada no blog começo automaticamente a chorar. Como se fosse a minha espécie de diário a quem conto aquilo que mais ninguém ouve, aquilo que mais ninguém quer saber.
Que coisa infantil a minha, manter um diário, mesmo que esporádico. Mais incrivel ainda é a necessidade de manter algo assim, como se não fosse capaz de conter tudo o que me vai cá dentro e tivesse de deitar tudo para fora num momento em que a saturação não me deixa aguentar mais.
Se fosse hojeo primeiro dia, seria tudo diferente. Mais distância, menos apego, menos expectativas para as pessoas que ficaram longe.
Embora reconheça sinais de amor, preocupação, carinho, os sinais de irritação permanecem. Sou tão dependente, de todos, e queria não ser.
Neste momento quero pegar na minha mala e ir embora, para um sítio novo, um sítio qualquer, não voltar para trás e começar tudo do zero. Fingir que não conheço ninguém, desaparecer.
Não é estranho querer desaparecer? Fugir de 20 anos de existência e deixar tudo para trás como se nada tivesse valor suficiente para trazer fora da minha memória. Querer estar sozinha, não confiar em ninguém, não acreditar em ninguém, não ter expectativas para ninguém.
Também é incrível como me sinto estúpida de cada vez que aqui escrevo. Sou tão criança, tão pequena, como se precisasse que tomassem conta de mim, que me dessem atenção, que me obriguem a fazer os trabalhos de casa.
Mas neste momento, tão pequena e ao mesmo tempo tão cheia de nada, a não ser a vontade de desaparecer e não voltar.
Serão isto saudades? Um estado mental alterado?
É normal?
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
É frustrante porque associo o descanso a estar contigo, e sem que isso possa acontecer, acabo por me afundar em mais trabalho para te tirar da minha cabeça.
Talvez seja essa a razão de querer fazer tanto ao mesmo tempo, poder não ter tempo para pensar demais, poder distrair-me de ti e do que me magoa.
É uma escapatória estranha, e o pior é que cada vez mais me empurras para ela, como se fosse a única solução que eu conheço para fugir de ti e da dor de me sentir um à parte da tua vida.
Please stop, ou don't stop, no fundo, não sei qual é que quero mais.
Talvez seja essa a razão de querer fazer tanto ao mesmo tempo, poder não ter tempo para pensar demais, poder distrair-me de ti e do que me magoa.
É uma escapatória estranha, e o pior é que cada vez mais me empurras para ela, como se fosse a única solução que eu conheço para fugir de ti e da dor de me sentir um à parte da tua vida.
Please stop, ou don't stop, no fundo, não sei qual é que quero mais.
sábado, 27 de setembro de 2014

Falar contigo e sentir o desprezo na tua voz. "Não tenho de te dar satisfações", "eu faço o que eu quiser", "não tenho de me preocupar". Sinto-me desamparadamente sozinha, e quando os nervos são demais, e o choro também, eu caio e parto uma vez mais.
Mas isso, "não é algo com que tenhas de te preocupar".
domingo, 22 de junho de 2014
É difícil, perder-te a cada dia mais, perder-me mais, ter-te a cada dia menos.
Mas a culpa é minha. Eu não estive lá. Eu não olhei para ti. Eu deixei de te ver. Eu quis acreditar que um sentimento daquela dimensão era algo que não desaparecia, não diminuía, não se esfumava como o calor dos teus beijos nos meus lábios.
Preciso de te ver. Vou ver-te agora.
Mas a culpa é minha. Eu não estive lá. Eu não olhei para ti. Eu deixei de te ver. Eu quis acreditar que um sentimento daquela dimensão era algo que não desaparecia, não diminuía, não se esfumava como o calor dos teus beijos nos meus lábios.
Preciso de te ver. Vou ver-te agora.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Como se o chão fosse gelo cada vez mais frágil que finalmente cedeu à minha leve figura. A segurança sólida de assentar o pé e prosseguir caminho como se cada buraco, como se cada poça fosse apenas um percalço sem importância.
Alarmante confiança, forte justiça que leva a sorte e deixa apenas o suor.
E esse, onde está? Perdido nas horas de brincadeira, inúteis e infindáveis de evitar o inevitável, de esquivar e esconder do destino o desfecho aguardado.
Eu era capaz, tudo estava imaculadamente limpo e transparente quando de repente, e não tão assim de repente, se levantou nevoeiro. Quem brinca com o fogo queima-se. Era fumo ou era água? Era um sinal, o barulho irritantemente insistente da irresponsabilidade.
Assim, embriagada na dor merecida fico, até que as folhas de papel escritas com garra surjam, até que o raciocínio se organize, até que os nervos se acalmem, até que a maturidade apareça.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
É um mundo novo e eu ainda não aprendi a lidar com ele, vagueei-o apenas no passado e em memórias, confiante de que o que fui e sou chegava quando na verdade não chega.
Preguiça? Talvez, sim, um pouco, mas não tanta assim. Inconsciência? Definitivamente. O desconhecido persegue-me e assusta-me, sou abanada pela mundo onde pertenço. Estranho não é? Ser bem recebida no talvez e completamente esmagada na certeza, e se eu não conseguir? E se eu não for suficiente? E se até agora bons resultados com pouco esforço tenham sido apenas fruto da facilidade dos problemas?
Bem vinda ao mundo real! Verdade, solitário mundo real, onde estou eu, como é que fiquei sozinha aqui?
Sinto-me perdida, não consigo encontrar-me. Entretanto o tempo passa...
Preguiça? Talvez, sim, um pouco, mas não tanta assim. Inconsciência? Definitivamente. O desconhecido persegue-me e assusta-me, sou abanada pela mundo onde pertenço. Estranho não é? Ser bem recebida no talvez e completamente esmagada na certeza, e se eu não conseguir? E se eu não for suficiente? E se até agora bons resultados com pouco esforço tenham sido apenas fruto da facilidade dos problemas?
Bem vinda ao mundo real! Verdade, solitário mundo real, onde estou eu, como é que fiquei sozinha aqui?
Sinto-me perdida, não consigo encontrar-me. Entretanto o tempo passa...
segunda-feira, 15 de julho de 2013
É engraçado como voltamos sempre ao ponto de partida. como se nunca dele tivéssemos saído.
Por instantes gostava de ter visto uma mudança, teria sido agradável, surpreendente, talvez precoce também.
Será que é verdade? Aquela ideia de que quando somos pequenos vivemos tudo com mais intensidade, que vemos tudo potenciado à desgraça. Talvez sejamos pequenos demais para ver as coisas boas.
Quando somos pequenos somos intolerantes, temos tanto à nossa frente que vemos o mundo na palma da nossa mão.
Mas e se estivermos errados?
domingo, 12 de maio de 2013
É aquele sorriso que eu quero poder ter sempre comigo, peço-te que estejas sempre comigo porque eu sou feliz assim.
Todas as discussões, todas as guerras parvas, todos os ainda gostas de mim? ou tens a certeza que é comigo que queres ficar? ou até os achas mesmo que vamos durar?, todas as lágrimas pelas quais és responsável, vales tudo isso e também todos os beijos, todos os abraços, todas as horas agarrada a ti, com o teu corpo contra o meu e o calor da tua pele a espalhar-se pela minha.
Posso pedir-te que fiques? Fica a ver a lua comigo, a nossa estrela, espera pelo nascer do sol e dá-me um beijo, aquele beijo que me faz confundir se somos duas pessoas ou uma só.
Deixa-me agarrar-te, agarra-me, prende a minha mão e deixa-me se sussurre ao teu ouvido:
Desde que entraste na minha vida que eu soube que ias ficar. Lembro-me do escuro contigo, do teu cheiro, do impulso de levar os meus lábios aos teus, confortar-te e limpar as tuas lágrimas, mostrar-te como é possível prenderes alguém mesmo sem dizeres uma palavra, só pela tua presença. Vou beijar-te outra vez agora...
e beijo
Sabe bem não sabe? Deixa-me mostrar-te o mundo como eu o vejo, deixa-me levar-te comigo onde quer que eu vá. Confia em mim, está bem?
abraço-te com mais força para que consigas sentir as minhas mãos a apertarem a tua barriga , a minha respiração no teu pescoço
Consegues sentir isto? Posso proteger-te. Posso levar-te a descobrir coisas que ainda não conheces. Posso fazer-te feliz.
vira-te, olha para mim agora
Acreditas em mim? Estou aqui para ti, e não pretendo ir a lado nenhum, nem agora, nem nunca.O que me dizes?
sábado, 27 de abril de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Enquanto o mundo gira e nada muda, continuo sentada à espera de aprovação, longe de tudo o que devia ser, ainda mais longe do que queria ser.
O lápis está demasiado afiado e as palavras são cortantes. Os olhos enevoaram e já não sou capaz de chorar mais, secou, nem sou capaz de ver, não quero olhar.
Não pertenço aqui, não pertenço a lado nenhum. O tempo cura tudo, mas enquanto o tempo passa, a ferida aumenta e rasga a última esperança, o último pedaço que estava por dar e que estava à espera do momento certo para ser bem recebido. O eu, o que faltava de mim, a insegurança e o medo da rejeição, o segredo trancado pelo coração e selado pela boca, à espera que o beijo o soltasse.
Não há mais que dar, o momento foi errado, e quando o tempo te curar, talvez seja demasiado tarde para me curar a mim.
Solta-me agora, por favor.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Olhei para o lado e ali estavas tu, com o sorriso perfeito, a olhar para mim.
O coração aqueceu e o corpo agitou-se, a tua cara familiar foi inesperada.
Naquele momento só ali estávamos nós, e eu só te via a ti, era como se a confusão que nos rodeava já não existisse.
Encontrei-me nos teus olhos, eu amo-te e tu amas-me, e isso é perfeito.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Enquanto sonho sou feliz.
Guardar as palavras é inútil, deixar coisas por dizer também. Despertar pensamentos é perigoso, conduz a complexos jogos de lógica e cadeias interrompidas por elos perdidos. Por isso é fácil não pensar.
Limitada pela pequena felicidade que me proporciona a cabeça vazia e a mente tranquila, sou feliz, ignorante, mas feliz, longe de tudo o que pode destruir a minha pequena bolha perfeita, que me tolda o raciocínio.
É demasiado fácil pensar que é suficiente este sentimento, não penso nele e ele existe, presente no meu coração, não na minha cabeça porque está totalmente ocupada pelo espaço vazio que a ocupa.
Simples, defino-me assim, só quero ser feliz, que infantil que sou.
E no fundo sou feliz, por momentos, enquanto acredito que o mundo quer algo de mim, ou que alguém me quer, como sou, simples e inocente, inconsciente um pouco também. Sou feliz por querer alguém, sou feliz por acreditar que alguém pode ser feliz comigo, sou feliz.
Limitada, sou limitada, acredito ingenuamente nisso e sorrio, como se nada me pudesse ser tirado, como se já tivesse tirado tudo.
Elos perdidos do meu pensamento, como vos desprezo e odeio, deixem-me voltar à dormência.
Não quero ser feliz sozinha, mas e se isso acabar por ser a única coisa que me resta? Conseguirei?
Guardar as palavras é inútil, deixar coisas por dizer também. Despertar pensamentos é perigoso, conduz a complexos jogos de lógica e cadeias interrompidas por elos perdidos. Por isso é fácil não pensar.
Limitada pela pequena felicidade que me proporciona a cabeça vazia e a mente tranquila, sou feliz, ignorante, mas feliz, longe de tudo o que pode destruir a minha pequena bolha perfeita, que me tolda o raciocínio.
É demasiado fácil pensar que é suficiente este sentimento, não penso nele e ele existe, presente no meu coração, não na minha cabeça porque está totalmente ocupada pelo espaço vazio que a ocupa.
Simples, defino-me assim, só quero ser feliz, que infantil que sou.
E no fundo sou feliz, por momentos, enquanto acredito que o mundo quer algo de mim, ou que alguém me quer, como sou, simples e inocente, inconsciente um pouco também. Sou feliz por querer alguém, sou feliz por acreditar que alguém pode ser feliz comigo, sou feliz.
Limitada, sou limitada, acredito ingenuamente nisso e sorrio, como se nada me pudesse ser tirado, como se já tivesse tirado tudo.
Elos perdidos do meu pensamento, como vos desprezo e odeio, deixem-me voltar à dormência.
Não quero ser feliz sozinha, mas e se isso acabar por ser a única coisa que me resta? Conseguirei?
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
sábado, 17 de novembro de 2012
Falo demais, exagero a simplicidade do meu pensamento e arrasto com ele inseguranças e perguntas sem resposta.
Aquela sensação de vazio, de que talvez eu não deva nunca ser o que sou ou fazer o que faço. Sentimentos que nunca estiveram tão certos, contradizem-se.
Neste momento estou triste, só sinto isso, e sinto-me demasiado estupidificada pela minha própria cegueira e ignorância, isso também.
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